Publicado por: masfg | setembro 24, 2009

Relato de Experiência Profª Delcira Soares.

Fotos - Gestar II - 6ª A 003

RELATO DE EXPERIÊNCIA

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Leitura e processos de escrita I

Materiais utilizados: TP4 e AA4 (versões do professor e do aluno)

Aula 2: Imagens do dia-a-dia

Objetivo: Identificar as marcas de letramento e relacionar a escrita com as práticas de cultura local.

Horas/aula dispendidas: Duas

Série: 6ª

Turno: Matutino

Número de alunos: Vinte e sete

Unidade escolar: Escola Municipal Totonho de Morais

Endereço: BR 050 – km123 – Uberaba (MG)

Professora: Delcira Aparecida Soares

Desenvolvimento das atividades:

 

A atividade sugerida para a referida aula foi transposta para folhas A4 e multiplicada em cópias suficientes para todos os alunos. A aplicação foi efetuada em conformidade com as orientações dadas. Observou-se que alguns alunos, durante a execução, demonstraram dificuldade em permanecer de olhos fechados para estimular a visualização das imagens necessárias. É possível que isto tenha ocorrido devido ao inusitado da situação para as aulas da disciplina.

 

Levantamento das observações dos alunos:

 

De um modo geral, percebeu-se que as imagens visualizadas pelos alunos foram muito similares. Todos eles escreveram aquilo que vivenciam na zona rural, ambiente em que passam a maior parte do tempo.

Em seguida, por item, uma síntese geral do que foi levantado de suas descrições:

] Ao se levantar, a maioria vê primeiramente os móveis característicos de um quarto: guarda-roupa, cama, espelho, etc. Alguns citaram irmãos que dormem no mesmo quarto.  Alguns veem o próprio celular, que os desperta para irem à escola. Outros veem as figuras do pai ou da mãe, que também os acordam para irem à escola. Chinelos, sapatos, tênis, uniformes e materiais escolares também fazem parte deste universo. Alguns reconheceram a bagunça do quarto em que dormem.

] Em relação à imagem de suas casas, percebeu-se que, em proporções iguais, o mobiliário que as constitui é novo ou velho. Os alunos ressaltaram também os tipos de móveis existentes, a sua descrição (forma, altura, comprimento, tamanho, cor, etc.), a sua conservação, a sua simplicidade e a sua limpeza.

] Foram citados os mais variados objetos existentes nas casas, a maioria constituída de utensílios domésticos novos. Foram feitas também referências às cores, tamanhos, materiais de que são constituídos, beleza e organização.

] A maioria dos quadros existentes nos lares é de santos de devoção da família. Mas foram registrados também muitos quadros de paisagens, animais, artistas (sobretudo cantores), flores, praias, rios, etc. Alguns disseram ser bem antigos os quadros existentes. Uns falaram da beleza dos quadros, outros da feiúra dos referidos.

] Os retratos existentes são, na maioria, de membros da família, onde os próprios alunos também estão presentes. Também há o registro de fotos de desconhecidos, de amigos, de pessoas antigas, de animais de estimação, de parentes distantes, de ocasiões especiais. Muitos registraram a emoção que as lembranças lhes trouxeram: saudade, alegria, etc.

] Em relação ao estado das residências, de forma equitativa, as paredes estão pintadas ou recém-pintadas. Um bom percentual também está necessitando de uma reforma, em virtude dos desgastes. Uma minoria mora em casas com paredes mofadas, sujas, com buracos, sem pintura.

] Os eletrodomésticos existentes na maioria das casas estão novos. E os mais citados e usados pelos alunos e suas famílias são, respectivamente: televisão, rádio, aparelho de DVD, aparelho de som e geladeira. Outros foram citados em menor escala, dentre eles o computador, freezer e máquina de lavar.

] Revelando o bucolismo típico das paisagens rurais, a maioria vê, ao sair de suas casas, praticamente as mesmas coisas, tais como: árvores diversas, pomares, jardins com flores, plantações de lavouras, pastos, gramas, serras, morros, animais (cães, gado, cavalos, galinhas, gatos, aves, etc.), casa-sede da propriedade, casas de vizinhos, cercas, currais, pontes, porteiras, regos d’água, fornalhas, veículos (máquinas agrícolas, carros, caminhões, etc.), estradas não pavimentadas, ferrovia, rodovia. Houve também a citação de piscina, campo de futebol e capela.

] No percurso para a escola, a paisagem registrada é também quase sempre a mesma, bem comum ao ambiente rural. As descrições efetuadas coincidem em muitos aspectos. Veem muito mato, árvores de várias espécies, pomares, flores, capim, pastos, cercas, porteiras, mata-burros, represas, cachoeiras, muitos animais (gado, cavalos, cães, gatos, macacos, aves, etc.), pedras, pessoas, casas, veículos diversos (carros, caminhões, motocicletas, etc.), postos de combustíveis, etc. Ficaram bem demarcadas as diferenças das descrições do trajeto por estradas sem pavimentação e do percurso efetuado pela rodovia. Alguns alunos manifestaram certa poesia em sua observação: veem o céu, olham as nuvens, apreciam a chuva, às vezes tem a chance de testemunhar o nascimento do sol. Estes acham o caminho muito bonito e romântico. Uns poucos acham o trajeto muito chato, por ser longo o tempo que levam para chegar à escola; os buracos e a poeira das estradas os aborrecem e acham a paisagem repetitiva. Estes demonstraram uma visão pessimista da paisagem campestre.

Em relação às ilustrações, os que têm maior habilidade obtiveram melhor desempenho. Entretanto, nenhum aluno deixou, mesmo com simplicidade, de expressar com fidelidade o que captou através de suas imagens mentais.

 Conclusão:

 O que ficou evidenciado com a aplicação da atividade é que a funcionalidade social da escrita enquanto prática cultural é uma de suas dimensões fundamentais e, portanto, inalienável. A experiência demonstrou que é preciso tomar a escrita como objeto de ensino-aprendizagem, em que professores e alunos, interagindo entre si com o objeto de conhecimento, aprendam e se ensinem mutuamente, o que implica, obrigatoriamente, assumir, desde o princípio da “alfabetização escolar”, o desafio de “aprender a ler e escrever, lendo e escrevendo”, com finalidades/motivos reais e significativos aos aprendizes: usando a leitura e a escrita a partir de necessidades que precisam ser objetivadas pelos professores em situações/atividades de sala de aula.

A inserção dos alunos em um meio letrado, interagindo com a escrita em situações de uso objetivo e significativo, possibilita-lhes ir construindo noções acerca do que sejam e signifiquem os signos escritos, de como e para que  leem e escrevem, ainda que estas noções não correspondam às convencionais. Assim, mesmo que os alunos ainda não tenham desenvolvido um conhecimento completo de como funciona o sistema de escrita, ou de como se lê e como se escreve, eles podem desenvolver o que se tem definido como letramento, processo através do qual participam, efetivamente, de práticas usuais com leitura e escrita, seja como leitores e escritores, seja como observadores, seja como ouvintes, nas quais constroem idéias acerca dos usos e estruturações diversos da linguagem escrita.

Pensar a existência de um ensino e de uma aprendizagem da escrita como linguagem-prática cultural, implica criar condições objetivas em que alunos e professores estão aprendendo ao mesmo tempo, ainda que em patamares diferentes e com perspectivas diferentes, sobre o que é a escrita, o que se faz com a escrita, o que a escrita faz com as pessoas, para que/para quem se lê e se escreve, como se lê e se escreve.

O exemplo de atividade dada recriou situações e necessidades de uso da leitura (no caso, das imagens mentais) e da escrita, o que contribuiu sobremaneira para o processo de aprendizagem da turma.

 Anexos:

1-     Duas fotos do momento em que a classe executava a atividade.

2-     Uma foto da turma com a professora, no pátio, logo após a realização da atividade.

3-     Atividades feitas pelos alunos Marinize Maria Albuquerque Rocha,  Taynara Cristina de Souza Moura e Gilvan Almeida Silva.

 

 Fotos - Gestar II - 6ª A 001

 


Responses

  1. A VALIDADE DE UMA AÇÃO PEDAGÓGICA É O RETORNO SOBRE A AÇÃO QUE FOI EXECUTADA.PORTANTO CABE , A TODOS OS ENVOLVIDOS A DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES QUE A ESCOLA DESENVOLVE COMOFORMA DE GARANTIS OUTRAS APRENDIZGENS.


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